Loading...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Critica : X-men First Class

Bem, sexta-feira passada eu fui relutantemente assistir o mais recente filme de X-men. Depois dos fiascos que foram X-men 3 : O Confronto Final e X-Men Origens : Wolverine, não tinha grandes esperanças para Primeira Classe, e tenho que admitir que fui pego de surpresa.

Embora viole brutalmente quase toda a continuidade tanto dos quadrinhos quanto dos filmes, X-men First Class é um filme legitimamente bom. Ao contrário de X-men 2, um filme de quadrinhos bom, mas fraco como filme por si só, First Class é muito superior como cinema, e não como adaptação de quadrinhos. Certas liberdades imensas foram tomadas com alguns personagens, mas nada que se compare aos absurdos feitos pela própria editora Marvel na linha Ultimate.

Narrando o inicio dos X-men e a "queda" do Magneto, First Class peca apenas pela atuação de Kevin Bacon como o Vilão Sebastian Shaw - Não que Bacon esteja ruim, mas comparado com Michael Fassbender e James Mcavoy, fica um tanto apagado, e ouvir  Bacon falando em alemaõ é uma experiência pouco agradável. 

O ator celto-alemão Michael Fassbender é tranquilamente o ponto alto do filme : Sua atuação como Erik Lensherr/Magneto é tudo o que o personagem deveria ter sido nos três filmes anteriores. Nada contra Ian McKellen, mas há uma dissonância extrema entre o Magneto "realista" dos três primeiros filmes, e o "velho bombado" dos quadrinhos, e creio que seria melhor se o papel continuasse nas mãos hábeis de Fassbender.

Embora tenha todo o tom trágico que se espera de um personagem cuja essência está no horror do holocausto, a trama que cerca o personagem é a da corrupção - mais especificamente, como um monstro gerado por uma tragédia não deixa de ser um monstro."Eu já estive a merce de homens que estavam apenas obedecendo ordens - Nunca mais" nada define melhor Magneto do que esta fala. O filme inteiro poderia ser apenas Erik caçando nazistas, e não deixaria de ser ótimo.

Do outro lado da questão mutante,  First Class mostra um Charles Xavier... diferente. Muito distante do mentor representado pelo genial (e mal aproveitado) Patrick Stewart nos três primeiros filmes, o Xavier de McAvoy é irresponsável, sarcástico e pouco ético. O tipo de pessoa que usaria de telepatia para catar mulheres em um bar, e estranhamente apegado ao cabelo que inevitavelmente perderia.

Porém, a escolha de personagens secundários não poderia ser mais estranha. É compreensivel a ausencia dos personagens dos filmes anteriores, pois este se passa em 1962, mas não vejo motivos para escolher apenas membros da lista "C" dos X-men. Destrutor? Aceitável no lugar do Ciclope. Banshee? Ok, acho. Mistica? Seria inaceitavel se ela não estivesse no filme, que dá uma profundidade muito desejada a metamorfa de pele azul. Fera? Ao menos um membro da primeira classe dos quadrinhos, então ok. Agora, Darwin e Angel Salvadore? Dispensáveis, e o ponto mais infeliz do filme : O poder de Darwin (o unico negro na equipe) é o de se adaptar para sobreviver a qualquer coisa - esse é o cara que cresceu uma segunda cabeça para não ser morto por decapitaçaõ nos quadrinhos, e que se teleportou para sobreviver contra o hulk. Ele é o único membro do grupo que morre. Angel Salvadore é a única "proto X-men" a debandar para o lado de Sebastian Shaw, e é a única latina no grupo. Os membros de minorias na equipe ou são vilões (Erik e Angel), ou morrem... por que?

Do lado dos vilões temos January Jones como Emma Frost/ A Rainha Branca, ótima no papel - algumas pessoas reclamaram de falta de emoção na interpretação de Jones, ignorando que a personagem é fria como gelo - ou como um diamante, adequado para alguém que se transforma na jóia (um dos pontos fracos dos efeitos especiais do filme). E os esqueciveis Azazel e Riptide, salvos da lata de lixo pelo filme, mas ainda dispensáveis. Ao menos Azazel tem uma fala e tem seu nome mencionado várias vezes, e tem ótimas cenas de luta, fazendo algo de agradavel com um personagem criado pelo péssimo Chuck Austen. Riptide? Nem sequer um name drop, apenas pose com furacões nas mãos e só. 

Como comentário final, devo dizer que não estou nada animado para a idéia de um X-men 4. Prefiria que a Fox continuasse do ponto em que este parou, mantivesse a série nos anos 60, e continuasse com a estética mais colorida vista em First Class - nada animou mais meu fanboy interno do que as roupas azul e amarelas ridiculas, e a capa listrada do Banshee.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Edrp's Transformers Review #1 : PCC Huffer



Após meses sem postar absolutamente nada neste blog, retorno com boas notícias : estou finalmente trabalhando, no jornal O Correio do Povo, em Jaraguá do Sul - ótimo trabalho, só um tanto ruim ter que vir pra jaragua de manhã cedo, mas vale apena.

Comecei semana minha nova empreitada na web, que devo continuar... sabe se lá quando... resenhas de transformers.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O horror... O horror...

Sábado passado eu assisti, junto com alguns amigos, um filme que só pode ser descrito como "maligno" : The King of Fighters : O confronto final. Para começar : de quem foi a brilhante idéia de adaptar um jogo de luta não muito bom para o cinema? Todas as outras adaptações do genêro foram, na melhor das hipóteses, trash-bom...

Mas vamos ao que interessa... The King of Fighters (a partir desse ponto, KoF) não tem qualquer ligação com os jogos além dos nomes e... dos nomes. Mai Shiranui (a totalmente plana Maggie Q) é uma AGENTE DA CIA, infiltrada no torneio The King of Fighters, organizado pelo PLAYBOY Iori Yagami, que aqui é NOIVO da Mai. As lutas do torneio são feitas em OUTRA DIMENSÃO, acessada com a ajuda de auriculares baseados no poder de duas relíquias, o amuleto dos Yagami e o espelho de Kagura.

O elemento de viagem dimensional, completamente sem motivo, resulta em um dos piores dialogos que já ouvi : "Você sabe o que acontece se você apontar o amuleto para o espelho?" diz Iori. "Você abre um portal para outra dimensão" responde Mai. "Exatamente" encerra Iori, fundindo o cérebro da audiência. Voltando ao horror geral, os artefatos são roubados por Rugal Bernstein (aqui interpretado por Ray Park, parecendo NADA com o Rugal dos jogos, e vestido como um "palhaço cafetão gay de couro sintético"), que quer os artefatos para libertar Orochi (aqui uma massaroca de cobras mal feitas, do tamanho de um punho), para se tornar... o rei dos lutadores

Para recuperar os artefatos e impedir Rugal de fazer... alguma coisa, Mai busca Kyo Kusanagi (o branquelissimo Sean Faris), filho do TOTALMENTE JAPONÊS Saisyu Kusanagi (sério, em flashback, Kyo é interpretado por um menino obviamente asiático. Adulto? Sean Faris), que sabe onde está a última relíquia. Ao mesmo tempo, Terry Bogár (é a pronuncia horrível do filme), o chefe de Mai, não engole a história de "outra dimensão".

Não posso falar mais da trama, porque lembrar dela me dói. MUITO. As lutas são chatas, as atuações horríveis, os efeitos especiais idem, a trama é ilógica, e eu já vi trabalhos de camera melhores por parte de amigos bebados, com uma máquina fotográfica. KoF é irremediavelmente ruim em todos os aspectos. Eu já assisti toda a obra dos péssimos Coleman Francis e Ed Wood Jr, e posso declarar, sem medo, que The King of fighters é  o segundo pior filme que vi em toda a minha vida, perdendo apenas para MANOS, As mãos do destino.

Caso queiram saber : A falta de postagem foi porque estou trabalhando, no jornal o Correio do Povo, e acabei perdendo a vontade de postar no blog.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Meus Parabéns, Voyager I

A ultima foto que Voyager tirou da Terra... Um pálido ponto Azul
Nesta segunda feira, a sonda espacial Voyager I finalmente atingiu o limiar do sistema Solar. Após trinta e três anos, vagando solitariamente em direção a novos horizontes, o mais distante objeto criado pelo homem passou a ser um objeto extra-solar. E pensar que apenas 70 anos antes de sua construção, lutávamos para fazer aeroplanos que superassem o limite de um quilometro e meio de distância percorrida.

Enquanto aqui na Terra nos preocupamos com rixinhas políticas, e guerras por motivos imbecis eclodem e se apagam diariamente, na imensidão do espaço, na borda da nuvem de Oort, a 17 bilhões de quilometros de nós, a Voyager se mantém audaciosamente indo para partes desconhecidas. E enquanto muitos de nós, sem termos vividos o auge da corrida espacial, negamos teimosamente as conquistas que fizemos do espaço, a Voyager, após ter fotografado Júpiter e Saturno, finalmente partiu da esfera de influência do Sol.
Erupção Vulcânica em Io, Lua de Júpiter

Viajando para longe do sol a insanos 60 mil quilometros por hora, a Voyager I levaria mais de três décadas para retornar. Isso se tal coisa fosse possível. Não, a Voyager jamais retornara para o pequeno planetinha azul que um dia foi seu lar. Seu único contato com "casa" tem 17 horas de atraso, fazendo da solidão sua única companheira. Mas se pudesse nos ouvir, a única coisa que eu tenho a dizer é "mesmo que nunca volte, você sempre terá um lar na Terra".

Voyager é a única de nossas criações fora da orla Solar. Em seus 33 anos de serviço, nos deu imagens de Júpiter (em 79), Saturno (em 81), e a famosa foto do pequeno ponto azul (em 1990), a mais distante imagem existente da Terra, e a única foto que temos do nosso planeta visto pelo espaço exterior do sistema solar. Agora, se torna nossa única criação a escapar da influência do nosso astro "pai", e deve manter-se assim durante muitos anos.

Siga em frente Voyager. Olhe para atrás apenas para lembrar de onde veio, e não tema a imensidão a sua frente. Estamos de olho em você, aguardando os cartões postais de sua longa viagem. E lamentamos que não seja possível trazer você de volta para casa.

Saturno, quatro dias antes da chegada da Voyager
Voyager tem ainda 15 anos de serviço pela frente, mas infelizmente, pouco a pouco, já está morrendo, conforme seus sistemas se desligam, um à um, enquanto sua energia se acaba. Seu processador foi repetidas vezes danificado pela radiação cósmica, exigindo que sua mente fosse reconstruída várias vezes... O último sistema previsto a ser desligado é a sua linha de contato com a Terra. O rádio da Voyager está previsto para ser desligado em 2025, neste ponto, o antes audaz cientista que desbravou o sistema solar será reduzido ao primeiro pedaço de lixo humano fora do sistema solar. Respeitemos esse bravo explorador aleijado, batalhando contra demência eletrônica, sozinho na imensidão do espaço, na esperança de que, algum dia, alguma outra espécie o encontre e se pergunte quem o construiu. Voyager merece pelo menos isso.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Porquê não gosto de Julian Assange e do Wikileaks

Vocês leram certo; Eu não gosto do senhor Julian Assange, e francamente não aprecio boa parte do trabalho da sua criação, o Wikileaks. Não que eles não tenham feito coisas boas, como divulgar casos de abuso de poder e "cagadas" épicas do exército americano no Iraque, ou a divulgação de documentos podres da Igreja da Cientologia, assim como documentos que praticamente provam subornos, desvios de dinheiro, e por aí vai.

Mas o problema é que Assange não se importa com o que DEVE ser divulgado. O Wikileaks tem uma causa, e Assange outra, e as duas não são exatamente exemplos de ética. Enquanto o Wikileaks se dedica a TOTAL liberdade de informação, sem qualquer barreira ou restrição, Assange visa atingir os EUA e seus aliados. Ele deixou isso claro em quase todos os seus discursos e entrevistas, e considerada suas ações como parte de uma "guerra" a favor da informação livre e contra os EUA.

Eu sou contra a censura. Acho censura algo abominável, mas ao mesmo tempo, não creio que divulgar toda a informação existente seja uma boa idéia, e não vejo como a retenção de documentos sigilosos seja censura; Há sim um motivo pelo qual esses documentos são sigilosos, secretos ou confidênciais, e antes de cogitar lança-los ao público, tem de se levar em conta se a informação tem algum valor que justifique quebrar o sigilo. Se não há razões para se proteger informações, ou se as justificativas não são fortes o bastante para proteger o que nelas está, pode mandar. É uma coisa divulgar informações criminosas, por exemplo; nada mais justo do que expor subornos.

Mas é outra totalmente diferente expor fofoca de diplomatas, que é o que o "Cablegate" realmente expos, ou pior, lançar uma lista de lugares "críticos para a segurança e estabilidade dos EUA", ou listas de informantes do exército americano no Afeganistão e no Iraque. "Mas as pessoas tem o direito de saber", alguns vão certamente dizer. A quem pode interessar nome de informante? Ou o que o embaixador americano na Rússia pensa do Medvedev? A primeira é irresponsável, perigosa, e abre um precedente horrível; Se informantes TEM de ser divulgados, isso destrói qualquer possibilidade de certas investigações de alto risco, como tráfico de drogas, armas, ou esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção. A segunda? Não serve função alguma além de danificar o trabalho da diplomacia de ambos os lados.

Mas isso é sem entrar na questão mais perigosa : Que bem pode trazer expor ao mundo todo, que, sei lá, o governo da Árabia Saudita está pressionando o embaixador dos EUA, exigindo que se "corte a cabeça da serpente (Irã)? Mas é claro, certas pessoas parecem achar que só os diplomatas americanos fazem esse tipo de comentário, como chamar Putin de Batman, ou questionar a sanidade da presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Mas o fato é que boa parte do Cablegate é composto por opiniões pessoais de embaixadores e consûls, e caso Assange divulgasse os relatórios dos diplomatas de outros paises (o que ele nunca vai fazer, a não ser que tenha algo que faça os EUA parecerem piores do que já parecem), surgiriam certamente as mesmas bobagens. Da mesma maneira, não é novidade que a diplomacia americana age para defender os interesses dos EUA. É para isso que a diplomacia serve, mas na visão de alguns anonimos na web, diplomatas devem defender os interesses dos outros, e não do seu país..

Mas o mais grave é a aura messiânica que vem cercando o senhor Assange; não cabe a mim julga-lo pelas acusações bizarras que enfrenta na Suécia, mas tenho que mencionar que, em todas as vezes que se pronunciou, Assange se apresenta como se fosse um herói, ou pior, um deus. Em sua própria visão, o Wikileaks é a única fonte de informação livre hoje em dia. As ações e as declarações de Assange vêm fazendo um desserviço ao jornalismo; Do ponto de vista dos defensores de Assange, não somos nada além de lambe botas, que repetem tudo que o governo americano nos diz, e que nunca houve trabalho investigativo real antes do Wikileaks. Me pergunto o que Woodward e Bernstein tem a dizer sobre isso.

Na defesa de seu "salvador", acham-se justificados em atacar sites de empresas, governos e bancos. Não vou defender os bancos, pois não há ramo empresarial mais picareta do que este, mas ao apelar para derrubar os sites e o serviço de cartões de crédito, por estes não fazerem mais doações ao Wikileaks, não apenas perderam a razão, como atingiram quem não tem nada a ver com o assunto. Não é o governo americano ou os bancos que apanharam com os ataques idiotas da semana passada, mas sim as pessoas que estavam tentando fazer compras de fim de ano. Nos comentários do G1, vi o argumento mais simplista e imbecil a respeito da situação : "Grande coisa, só rico usa cartão de crédito, gente de VERDADE não usa essas coisa de milionário". Demonstração épica de falta de conhecimento, preconceito, e uma defesa bizarra da idéia estúpida de que pobre é sempre bom. E pior, sugere que quem tem um cartão de crédito não é "Gente de VERDADE". Somos pessoas de mentira agora?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Crítica : Jacob's Ladder

Jacob's Ladder, lançado por aqui como "Alucinações do Passado", é um intenso Thriller Psicológico, estabelecendo várias das figuras narrativas usadas em seu "imitador" mais famoso, Silent Hill. Dirigido por Adrien Lyne (Atração Fatal), em cima de um roteiro de Bruce Joel Rubin (de Ghost), Jacob's Ladder narra as estranhas experiências de Jacob Singer (Tim Robbins), veterano da guerra do Vietnã.

Ao longo de suas 2 horas, Jacob's Ladder alterna entre o passado, tanto pré quanto em guerra de Jacob, e sua vida presente (em 1975), assolada por alucinações com seu filho (Macaulay Culkin, não creditado), ameaças contra sua vida, e visões horriveis, de uma realidade infernal, um hospital decadente onde Jacob estaria sendo torturado. Conforme as visões se acumulam, Jacob vai perdendo sua conexão com a realidade, se é que a sua vida em 1975 é de fato "real".

A fotografia de Jacob's Ladder é escura, pesada; Lyne abusa de angulos incomuns como maneira de impor o clima de "insanidade" que cerca o roteiro. É até estranho ver cenas noturnas ou escuras sem aquela coloração azulada comum em filmes recentes. Ainda mais incomum é ver que todas as "esquisitices" que Jacob vê foram criadas usando apenas maquiagem e truques de camera. Esse ultimo instrumento, nota-se, é o ás na manga de Lyne: cenas inteiras são distorcidas pelo uso inteligente de lentes diferentes, angulos pouco ortodoxos e mudanças de velocidade.

Porém, embora a direção de Lyne seja admirável, e o trabalho técnico seja impressionante, Jacob's Ladder peca em termos narrativos; a atuação de Robbins é um fraca e desinteressada, e o elenco de apoio não é dos mais notaveis. Não é exatamente um bom sinal quando uma das melhores atuações vem de Jason Alexander (o George Constanza de Seinfeld), e até esta é um tanto fraca; Robbins tem seus momentos, mas em grande parte, soa "distante".

O roteiro em si, embora original, peca ao se tornar um tanto "pregatório" conforme o filme se aproxima do fim. Embora o final seja ótimo, em tempos dos "TWEESTS" de M. Night Shyamalan soa bobo e previsivel; Não o era em seu tempo, mas para uma audiência acostumada com reviravoltas e revelações de ultima hora, pode parecer mais do mesmo.

No geral, é um bom filme, que sofre com atuações um tanto aquém do necessário. Mas vale notar que Jacob's Ladder é um filme impregnado de simbolismo religioso, e cujo final destoa um bocado do resto da história. Vale apena para quem gosta de Silent Hill ou de filmes psicológicos.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Crítica : Harry Potter e as Reliquias da Morte parte I

 Finalmente os filmes de Harry Potter chegam ao seu fim, com os dois filmes que adaptam o sétimo livro da série, Harry Potter e as Relíquias da Morte. Conclusão digna do épico moderno de J.K. Rowling, porém não livre de certos problemas. A essa altura, vocês devem conhecer a trama. Se não conhecem, "Reliquias da Morte" narra o que deveria ser o último ano de Harry Potter em Hogwarts, tragicamente substítuido por uma árdua guerra contra os Comensais da Morte liderados por Lorde Voldemort.

"Relíquias..." é um filme um tanto lento, ao menos em sua primeira parte; Deixando as cenas de ação para o segundo filme, muito deste é composto por Harry, Ron e Hermione vagando por areas isoladas, discutindo, fugindo dos comensais da morte, e buscando pelas Horcruxes de Voldemort. É espaçado e vagaroso, e justamente por isso provoca tensão, seja pela incensante impressão de que algo está prestes a acontecer, seja pela quebra de ritmo quando algo de fato acontece.

E falando em quebra, um dos pontos da fotografia (belíssima) do filme me incomodou : "Relíquias..." faz forte uso de cenas escuras, abusando do filtro "azulado" que certos cineastas amam usar para criar a impressão de escuridão, assim como de cenas mal iluminadas. Nada de ruim aí, exceto pelo quão azul é o filme. O problema é o número imenso de sequências onde um take extremamente escuro dá lugar outro quase totalmente branco. A sensação acaba sendo de que o diretor quer lhe cegar.

Em aspectos técnicos, Harry Potter mantém a qualidade ascendente que marcou a série. Se em "Calice de Fogo" a maquiagem de Ralph Fiennes era perturbadora, mas ainda reconhecível como tal, em "Relíquias..." Fiennes desce ao fundo do "Uncanny Valley", e não digo isso como algo ruim; O Voldemort de Fiennes parece profundamente ERRADO, e a qualidade do trabalho de maquiagem é tamanha que é dificil reconhecer que Vocês-sabem-quem não é "Real". Os cenários belíssimos e a ótima composição de cena criam um filme que, acima de tudo, é lindo, mas isso não significa que o roteiro e as atuações não sejam de qualidade.

Daniel Radcliffe certamente cresceu muito como ator, e o mesmo vale para os seus "coadjuvantes" Rupert Grint e Emma Watson (que está belíssima, por sinal), embora os personagens de Watson e Grint estejam um tanto "apagados" nessa primeira parte. Embora apareçam pouco, os personagens terciários roubam varias cenas, especialmente os gemêos Weasley (hilários em quase todas as suas raras cenas no ínicio do filme), Xenofilio Lovegood, Bellatrix Lestrange (mas é claro, Helena Bonham Carter SEMPRE rouba a cena) e Dobby, que tem neste uma das melhoras falas da história do cinema : "Dobby nunca quis matar, só queria aleijar ou causar ferimento grave!".

Embora Harry Potter seja uma série "infanto-juvenil", "Reliquias..." é um filme pesado, tenso, que lida com temas fortes, muitas vezes sem poupar a audiência de golpes, da mesma maneira que o livro em que é baseado. Se houverem pessoas que não entenderam o ministério tomado por Voldemort como uma alegoria para o nazismo após ler o livro, e ainda não entenderem depois de ver o filme, o problema só pode ser delas. Desde a ideologia por trás dos Comensais da Morte, até os "julgamentos" e os cartazes vistos no ministério da magia no filme, tudo remete ao III Reich, e se nem isso servir para "fazer a ficha cair", a visão de Hermione estirada no chão, quase catatônica, e a palavra "mudblood" entalhada no braço tem de servir. Caso contrário, o problema não é do filme, mas sim do espectador em questão. Também não teme em lidar com questões mais "sexuais", especificamente o triangulo "Ron/Hermione/Harry", ponto em que a cena onde as inseguranças de Ron se manifestam em uma aparição que é praticamente erótica.

Agora, aos problemas... Como mencionado anteriormente, o filme exagera no filtro azul; Embora seja muito usado para fazer cenas "a noite" quando isso não é viável com efeitos práticos, em "Relíquias..." o filtro está em quase todas as tomadas, e como sempre, não faz parecer que é noite ou escuro; a escuridão não é azul, e nunca foi. O excesso de planos abertos de paisagens é um tanto irritante, nós entendemos, o Reino Unido tem pelas locações, não precisa fazer tudo na Nova Zelândia, blá blá blá... Agora dá pra andar com o filme? Tem quase 10 minutos de paisagens e nada acontecendo em "Relíquias..." e esse tempo poderia ser melhor aproveitado. Uma falha que divide com o livro é a lentidão da trama, o que acaba fazendo com que esta primeira parte termine justamente quando o plot passa a andar. E alguns detalhes cortados do roteiro fazem com que duas cenas não façam muito sentido, quem leu o livro vai entender quais são.

No geral, "Relíquias..." é um bom filme, porém lento, esticado, e que precisa logo de sua segunda metade para se tornar "compreensível". Por ora, é uma obra incompleta, e que se encerra em "no começo". Vistos como um filme só, a impressão que fica é que "Relíquias... Parte I" compõe o primeiro ato da trama, pois o filme inteiro parece uma longa introdução com um curto e tardio desenvolvimento.
BlogBlogs.Com.Br